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23/10/2020 - 09h00m

Reeducando é aprovado em curso de graduação na Ufal

Alessander, que não tinha sequer o ensino fundamental completo quando chegou ao sistema prisional, diz que oportunidade de estudar no cárcere mudou sua vida

Reeducando é aprovado em curso de graduação na Ufal

Alessander espera progredir para o semiaberto ainda este ano e cursar Filosofia, presencialmente, em 2021

Texto de Bruno Soriano

Nove anos, um mês e onze dias. Quem está privado de sua liberdade faz questão de contabilizar os dias que restam de confinamento. Nada mais natural. Em Alagoas, também não poucos os exemplos de quem buscou se ressignificar durante o período de reclusão, abraçando as oportunidades ofertadas pela Secretaria da Ressocialização e Inclusão Social (Seris) – que enxerga a educação no cárcere como um dos pilares da ressocialização.

É o caso de Alessander Ferreira Leal. Isso porque foi no complexo penitenciário de Maceió que o reeducando de 43 anos conseguiu concluir os ensinos fundamental e médio. E não demorou muito para ele alçar voos ainda maiores, já se preparando para cursar Filosofia na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). 

Esta é a primeira vez que um reeducando do sistema prisional alagoano é aprovado para curso presencial daquela universidade, que, em razão da pandemia de Covid-19, investiu em tecnologia para, por meio da modalidade de ensino a distância, suprir a interrupção das atividades em seus campi. Porém, Alessander espera contar com o benefício da progressão de regime (do fechado para o semiaberto) para, já em 2021, frequentar a sala de aula. 

“Estou matriculado em duas disciplinas, e tenho convicção de que vou estudar presencialmente já a partir do próximo ano. Não desperdicei nenhuma oportunidade que aqui me deram. Quero me tornar professor e, em breve, repassar para todos os reeducandos tudo o que aprendi no sistema, demonstrando que o caminho mais fácil é o da ressocialização”, atesta Alessander, que também está prestes a concluir Letras pela Universidade Norte do Paraná (Unopar).

Ele conta que se encantou de tal forma pelos estudos ao ponto de despertar uma paixão inimaginável. “Eu descobri, por meio da leitura, que a vida é muito mais singela. Foi com o estudo que pude rever valores. Aprendi que o ‘ser’ é muito mais importante do que o ‘ter’. Sei onde quero e vou chegar. Não tenho orgulho de estar preso, mas me orgulho de ter feito as escolhas certas no cárcere. Para quem aqui chegou com apenas a sexta série do fundamental, conseguir ler até três livros por semana me envaidece bastante”, conta o reeducando, que também já foi aprovado em outros cursos da Ufal, como Agroecologia e Engenharia de Energias Renováveis.

E Alessander destaca também o apoio dos policiais penais e gestores da Seris neste processo de ressocialização. Ele recorda que, inicialmente, esperava os colegas de cela dormirem para poder estudar. “Eles tinham muita resistência. Foi quando, à época, consegui sensibilizar a direção do Presídio Cyridião Durval, que criou um módulo destinado somente aos reeducandos que queriam estudar. Nesse sentido, o sistema prisional alagoano está em outro patamar porque não nos falta oportunidade”, reforça o custodiado.

Hoje no Núcleo Ressocializador da Capital, Alessander conquistou o respeito de todos, sendo comumente lembrado pelo bom trato com os servidores e demais reeducandos e, principalmente, pelo foco nos estudos. 

“Ir à biblioteca do Núcleo é revigorante. O LÊberdade, projeto da secretaria que proporciona a remição da pena por meio da leitura, é mais uma grata oportunidade. É por tudo isso que só tenho a agradecer a todos, especialmente ao senhor secretário [coronel PM Marcos Sérgio de Freitas], por toda a atenção que nos é dispensada. Também pude encontrar outros motivos para seguir em frente e não desistir, a exemplo da minha nova companheira. Minha autoestima é outra porque não tenho mais vergonha da minha escolaridade. Posso olhar para trás e dizer que dei a volta por cima e mudei o rumo da minha história por meio da educação”, complementa Alessander.

Para a gerente de Educação, Produção e Laborterapia da Seris, Cinthya Moreno, nem os sete meses de suspensão das visitas presenciais – uma das medidas adotadas pela gestão prisional para conter o avanço do novo coronavírus – foi capaz de fazê-lo desistir de seus sonhos. 

“A visão dos professores e policiais penais que acreditam na ressocialização permite que façamos um trabalho de excelência voltado à educação das pessoas privadas de liberdade, a exemplo do Alessander. O engajamento de todos aqueles que crêem no poder transformador da educação é de suma importância, e é por isso que a Seris investe permanentemente na capacitação desses policiais, que, aliada à vontade de aprender do reeducando, são a mola propulsora desse desenvolvimento”, avalia a policial penal.

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