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25/06/2019 - 10h05m

Quadrilha junina Santa Fé anima arraiá do Núcleo Ressocializador

Campeã do Forró & Folia se apresenta na terça-feira (25); apresentação destinada aos reeducandos faz parte do projeto São João Literário

Quadrilha junina Santa Fé anima arraiá do Núcleo Ressocializador
Texto de Bruno Soriano
 

Fomentar a cultura local e, com isso, a sensação de pertencimento entre os reeducandos. É com este objetivo que a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris) realiza, nesta terça-feira (25), mais uma ação voltada aos festejos juninos. Desta feita, o Núcleo Ressocializador da Capital (NRC) será palco da apresentação da quadrilha junina Santa Fé, que, este ano, sagrou-se campeão da 20ª edição do concurso Forró & Folia, garantindo vaga no concurso regional da Rede Globo Nordeste, que aconteceu no último domingo (23), em Goiana, Pernambuco. 

Com a iniciativa, a Gerência de Educação, Produção e Laborterapia da Seris busca fortalecer o processo de ressocialização das pessoas privadas de liberdade, ofertando-lhes a oportunidade de conhecer um pouco mais a tradição das festas juninas. 

A Santa Fé, inclusive, já se apresentou no Núcleo Senai/Seris de Construção Civil no início deste mês de junho, quando 48 reeducandas do Estabelecimento Prisional Feminino Santa Luzia conversaram com os integrantes da quadrilha junina sobre enredo, figurino e coreografia, dentro de oficina do projeto LÊberdade – que proporciona a remição da pena por meio da leitura. 

“Nós acreditamos na ressocialização e, por isso, faremos esta nova apresentação no sistema prisional alagoano, mostrando aos reeducandos toda a história da Santa Fé, que surgiu, no bairro do Prado, em Maceió, há quatro anos. É um prazer poder proporcionar um dia diferente àqueles que buscam reconstruir suas vidas”, afirma a brincante Iannes Cordeiro, sobre a quadrilha composta por 150 pessoas e que, no Forró & Folia, escolheu como tema a Lenda da Mandioca. 

A lenda conta que uma índia chamada Mani conseguiu conquistar o respeito e admiração de sua tribo mesmo tendo a pele branca. Após ficar doente e morrer ainda jovem, a indígena foi sepultada dentro da oca onde morava, conforme a tradição do povo tupi. Seus pais regaram, com água e muitas lágrimas, o local onde ela foi enterrada e, tempos depois, nasceu uma planta de raiz marrom por fora e branca por dentro, da cor de Mani, dando origem ao nome Mandioca (uma junção de Mani e oca). 

“A Mani superou o preconceito por ter nascido branca. Ela morreu para salvar sua tribo, que, então, conheceu a mandioca, raiz que se tornou um dos principais alimentos não apenas dos povos indígenas. E é por isso que esta lenda se assemelha à realidade observada entre os reeducandos, que podem enxergar na índia Mani um exemplo de superação”, avalia Iannes Cordeiro. 

A apresentação da quadrilha Santa Fé é fruto do projeto São João Literário, por meio do qual a Seris vem proporcionando momentos de lazer e descontração em várias unidades do sistema prisional, a exemplo do Centro Psiquiátrico Judiciário Pedro Marinho Suruagy, cujo arraiá está marcado para o próximo dia 27, com direito a comidas típicas e exposição sobre literatura de cordel.

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