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20/03/2017 - 09h48m

Artesanato do sistema prisional incentiva cultura e possibilita futuro digno para reeducandas

24 reeducandas atuam nas sete oficinas da Fábrica de Esperança

Artesanato do sistema prisional incentiva cultura e possibilita futuro digno para reeducandas

Regulamentação da profissão beneficiou trabalhadores da área. (Foto: Jorge Santos).

 Texto de Mayara Wasty

 
O artesanato é uma expressão cultural que representa uma atividade de grande importância para um povo, tanto no aspecto econômico, quanto turístico, sendo construído com traços culturais típicos da região que é fabricado. No sistema prisional, a Fábrica de Esperança da Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris) possui sete oficinas que transformam reeducandas em artesãs.
 
Crochê, tenerife, decoupagem, filé, marcenaria artesanal, pintura em tecido e tornearia em madeira são as técnicas ensinadas pelos sete instrutores da Gerência de Educação, Produção e Laborterapia. Ao todo, 24 reeducandas participam das oficinas e desenvolvem peças que ganham cada vez mais destaque no cenário local.
 
Há quatro anos trabalhando na Fábrica de Esperança, Daniele da Paixão passou pela oficina de corte e costura e atualmente atua na oficina de decoupagem. “Antes de trabalhar aqui eu não conhecia a técnica, vim conhecer no artesanato. Mas antes passei pela oficina de pintura e não me adaptei, agora trabalho com o que gosto”, disse.
 
Para a reeducanda, o trabalho manual é um aprendizado constante e o lidar com artesanato é construir parte da cultura do Estado. “É preciso muita inteligência e sensibilidade para mexer com artesanato. Quem vê as peças pode achar que é uma coisa simples, mas para aquela peça ficar pronta é preciso muita inteligência, muito trabalho, se dar completamente para se ter uma peça completa”, afirmou.
 
“Para mim, o artesanato está em tudo, é olhar para um material que você acha que não presta para nada, que não tem valor, e transformar em uma coisa bonita. É poder levar alegria para as outras pessoas. Eu fico muito satisfeita quando sei que alguém gostou do meu trabalho, pois sei quando produzo, faço com amor, carinho, dedicação e cuidado”, finalizou.
 
Assim como a Daniele da Paixão, muitos brasileiros trabalham como o ofício garantindo o sustento de suas famílias. Segundo o Ministério do Turismo, até 2016 o Brasil possuía cerca de 10 milhões de artesãos, que trabalham com diversas técnicas, como bordado, costura, escultura e pintura, muitas vezes passadas de geração em geração.
 
Cada região brasileira possui características próprias no artesanato. O Nordeste, por exemplo, possui um trabalho diversificado na produção de renda de bilro, a renascença, o filé, o labirinto, ponto de cruz e o richelieu. Também se destacam as xilogravuras, as garrafinhas com areias coloridas e os bonecos de barro.
 
Através da lei 13.180, sancionada em outubro de 2015, que estabelece diretrizes para políticas públicas de fomento à profissão de artesão, os artistas passaram a ter direito à carteira nacional do artesão, linhas de crédito especial para o financiamento da comercialização da produção artesanal e aquisição de matéria-prima e qualificação profissional.
Em 2016, as custodiadas e os instrutores que trabalham nas oficinas da Fábrica de Esperança receberam a carteira de artesão fornecida pela Secretaria de Turismo de Alagoas.
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